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Mostrando postagens de dezembro, 2024

[ Deixe eles entrarem ]

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  CENA 1 Um salão de festas vazio. Dário está no centro se alongando. Nina entra carregando uma caixa com enfeites e começa a arrumar o salão para a festa, fazendo algum barulho. Dário se incomoda. DÁRIO (para Nina): Eii! Pssiiu! (Nina continua a fazer barulho) Ôô quirida! Ôô quiridinha!   Nina para um instante e Dário acha que ela vai responder. Nina, então, volta a arrumar o salão fazendo mais barulho. Dário se levanta tentando esconder a impaciência. DARIO : Oiiiiii, então né………. Eu reservei esse salão pra eu ensaiar. Você pode esperar um pouco pra fazer o que você tá fazendo? NINA : Ah, eu não sabia, desculpe, ninguém me avisou (Puxa um papel e começa ler, procurando algo) Ninguém me avisou MESMO… Então depois eu volto né? Depois desse seu ensaio aí.   Nina sai e Dário termina de alongar. Quando Dário está prestes a começar sua dança, Nina entra novamente, fazendo barulho. Dário vai buscar satisfação e Nina estende uma folha para Dário. NINA: O senhor me desculpe, ma...

II

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[Continuação da parte I] Queria entender melhor o que levou um rico empresário de uma cidadezinha minúscula a botar dinheiro na criação de uma orquestra. Nada me tirava da cabeça que era lavagem de dinheiro. Então, para conhecer mais sobre quem tava botando dinheiro na brincadeira, eu fiquei uns dias na cidade de Araçari. O cara, Jorge Copel, além de ter uma fábrica de suco de laranja, era dono de um centro comercial com ares de Champs-Élysées. Um centrinho comercial cheio de lojas de grife, as calçadas eram todas limpas e novas, ali se concentrava noventa por cento da arborização da cidade e a maioria dos prédios eram falsos históricos. O mais surpreendente eram as várias caixas de som pelas ruas e tocavam música clássica. Isso é tão cafona. Um dos motivos para a música clássica ser um pedaço de merda para a maioria das pessoas vem do fato de que ela se tornou música de elevador. Ninguém gosta de música de elevador assim como ninguém gosta de flor de plástico. Acredito que só sou maes...

I

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Esperei por uma hora. Bem em cima da mesinha de centro um sapatinho de porcelana cheio de retalhos coloridos do Romero Britto. Na parede, um quadro imenso com a foto daqueles ônibus britânicos vermelhos. Todos os móveis são brancos, com detalhes em dourado. A única exceção é uma poltrona com estofado de oncinha. O que mais encarei foi a estante de livros — compartimentos ocupados por vasos, plantas de plástico, uma escultura de avião dourada, escultura de touro dourada, outro Romero Britto e o único livro, um bem grosso de arquitetura, com uma grande pedra de quartzo rosa em cima dele. Na minha espera de uma hora a empregada ofereceu água umas quatro vezes. Quando decido aceitar a água, sou interpelado pela dona (da casa), Soraia Copel, que dispensa a empregada com um abano de mãos. “Desculpa te fazer esperar, estava na minha seção de ThetaHealing. A gente não pode encerrar essas coisas no meio, né?”. Abri um sorriso amarelo, que mantive pelos próximos quinze minutos enquanto ela falav...